domingo, 9 de novembro de 2008

Quem sou eu?

Se alguem hoje me perguntar quem sou eu não sei se saberei responder. Porque hoje, mais do que nos outros dias, me sinto uma pessoa desordenada, como se um grande furacão tivesse passado e colocado ao chão tudo que antes foi construído. Não sei hoje o que fazer com essa nova pessoa que em mim habita mas que coexiste com a antiga pessoa. Sinto-me muitas e ao mesmo tempo nenhuma. Estou num período que deveria ser de pura graça, de pura espera, espera pelo nascimento. E me sinto morrendo...e talvez esteja. Talvez seja a morte de uma antiga pessoa que agora é substituída por outra, não melhor, apenas diferente.
E nesse momento de luto, sinto falta de tantas coisas que nem sei por onde começar. Sinto falta da minha mãe, para me ensinar a ser mãe, para me dar a certeza de que sou amada assim mesmo desse jeito torto. Sinto falta da ilusão do terreno seguro, das sensações que sei nominar. Sinto falta das ilusões de um pai que nunca tive e de parente que nunca existiram. Sinto falta da infância com a minha irmã, das velhas amizades, das novas que se foram. Sinto falta de lembrar do que ganhei, e não apenas do que perdi. Sinto falta da minha fé no amanhã, da crença que tudo dará certo e de que é possível mudar o mundo.
Cada dia é feito de reconstruções, de morrer e nascer, de esperar e de fazer acontecer. Hoje experimento o luto, a tristeza, a dor. Quero amanhã experimentar a alegria, o perdão, a festa. Desejo querer recomeçar, ser nova criatura, sem temer o que virá. Quero aceitar o que não posso mudar. Mudar o que não posso escolher. Escolher com quem partilhar. Partilhar com quem estiver no caminho. Caminhar com quem eu amo. E amar, simplesmente amar.

domingo, 27 de julho de 2008

Eu tomo posse daquilo que sou

*Eu tomo posse daquilo que sou *

Quem não se ama não sabe amar ninguém


Ser pessoa é antes de tudo ter consciência: "Eu sei quem sou eu. Tenho
diante de mim minhas dificuldades, mas eu me aceito!" Conversão é tomar
posse daquilo que se é. Por isso, Deus não pode trabalhar com uma pessoa
mascarada, que não se aceita.

Não existe cristão se ele não se aceitar do jeito que é. Você é o que é, e a
sua conversão passará por aquilo que você é!

Jesus quando viu Maria Madalena fez com que ela voltasse a ver aquilo que
ela era, não uma prostituta, mas uma filha de Deus projetada por Ele; não
aquilo que a sociedade criou.

Nós caímos muito nos artifícios que nos são apresentados. Nossa vida se
ilumina por novidades e gostamos muito do estético. E seguimos aquilo que é
diferença, não somos fã da disciplina.

Corremos atrás de coisas e duas semanas depois vemos que realmente aquilo
não era tão bom como parecia.

Por que os artistas não permanecem muito tempo casados? É por causa disso.
Querem respostas rápidas, românticas, buscam o brilho eterno e acabam
desanimando. Então, o outro começa a decidir por nós e ficamos perdidos.
Muitas pessoas, ora dão um testemunho de que acreditam em Deus ora, passado
um tempo depois, já dizem acreditar em Buda, depois em Maomé, e mais tarde
na energia [cósmica]... Não ficam presas a nada.

Cuidado para não seguir somente as vaidades. Somos vaidosos, mas não podemos
ser levados pela vaidade. Não invente um personagem, seja aquilo que você é.
Seja autêntico, assim você provoca autenticidade nas pessoas a seu redor.
Procure ser aquilo que Deus o fez. Se você está correndo atrás de porcaria
cuidado para não acabar deixando de ser aquilo que Deus fez de você.

Deus acontece plenamente no nosso coração quando nós nos permitimos ser
aquilo que somos. A nossa divindade só acontece na participação.

Não seja aquilo que dizem que você é. Parece estranho, mas não podemos dar
aquilo que não temos. *Se você não descobrir que você é sagrado, você não
vai perceber a sacralidade que o outro é!*

Quem não se ama não sabe amar ninguém. É uma pessoa ausente de si mesma. Os
amores estragados que passaram minou aquilo que se era. Há pessoas que vemos
que não têm amor-próprio; mas nós não temos o direito de perder esse amor.

Tome posse do que você é para depois dar-se ao outro.
*
Padre Fábio de Melo*
Professor no curso de teologia,
cantor, compositor, escritor e
apresentador do programa
"Direção espiritual" na TV Canção Nova.

domingo, 1 de junho de 2008

Lista

A Lista
Oswaldo Montenegro
Composição: Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda ver todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Para minha mãe

Domingo é dia das mães e como muitos sabem minha mãe e a da Claudia morreu há alguns anos. Quando chegam essas datas (Natal, aniversário, Páscoa) acabo sempre me lembrando dela. Hoje pensei em algumas coisas que eu gostaria de ter dito a ela e não pude. São elas:

Mãe quando eu a idade for chegando e eu tiver meus filhos, quero ser igual a você. E desde já dizer obrigada:
- por sentir orgulho de mim e da Claudia e nos curtir tanto;

- por nos deitar em seu colo mesmo, por nos abraçar e nos encher de beijos nos lábios na frente dos outros nos enchendo de vergonha;
- por nos ensinar que podemos errar mas que devemos assumir nossos erros e suas conseqüências;
- por nos fazer acreditar nas pessoas e nos manter sempre abertas a elas;
- por nos mostrar sempre o lado bom e generoso da vida;

- por nos entender sem que precisemos falar;

- por nos escutar e chamar nossa atenção quando estávamos erradas;

- por nos “obrigar” a nos vestir bem, usar um batom, a nos amar;

- por nos dizer que somos linda e que ninguém tem o direito de dizer o contrário;

- por nos mostrar que o ser humano é mesquinho e egoísta, mas também pode ser amigo e solidário;

- por nos mostrar que nem todo mundo tem tudo que quer, mas que sempre podemos correr atrás do que NÓS queremos;

- por nos dizer que dinheiro não vale algumas coisas que na vida;

- por nos ensinar que temos que ser a melhor amiga uma da outra e que nunca podemos deixar de nos falar;

- por nos mostrar que unidas – eu e Claudia – podemos mais e o amor que nos une deve vir acima de tudo que há na vida;

- por nos ajudar a sobreviver e perceber que vale a pena viver mesmo que por um instante.
- por me mostrar que é necessário amar, amar, amar. Não importa o resultado da equação.

Tudo que somos hoje devemos a você. Se somos pessoas honestas, amorosas, amigas e com uma família linda é porque você nos ensinou lições valiosas. Sabe a coisa que eu mais adorava fazer contigo, mãe, deitar ao teu lado, ler um livro, ver um filme e ter a certeza de que fosse o que fosse, acontecesse o que acontecesse você sempre estaria ao meu lado.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Sou apenas uma mulher (Carla Pepe)

 
Tenho feito um mergulho diário pelo mar que é a minha existência. Venho descobrindo que sou imperfeita sim, com muito prazer. Sou uma criatura criada por Deus, imperfeita, mas que faz tudo que precisa ser feito, que busca ser irmã, amiga, amante, mulher, profissional. Não sou a Brahma, mas sou boa. Trabalho todos os dias, defendo minhas causas, falo, grito, saio com minhas amigas, telefono para minha irmã todos os dias, nado com meus sobrinhos. Vou ao cinema, beijo na boca, pago as contas, corro na esteira, nado na piscina. Viajo a trabalho e por lazer. Gosto de conhecer pessoas, de falar com elas, de escuta-las. Não tenho a pretensão de ser a mulher maravilha, até já achei que era, mas não sou, ufa ainda bem.

Sou apenas uma mulher, graças a Deus. Uma Carla que quer uma vida interessante, uma vida de papo furado, de achar que o dinheiro não é mais importante que minha família e meus amigos. Não quero ser indispensável a ninguém. Quero ser reciclável, peça pronta para ser substituída. Mas quero ser única no sabor com que experimento a vida. Quero poder não fazer nada, cantar sozinha em casa, andar pela rua falando sozinha, sumir de tarde para fazer amor. Quero ganhar uma massagem de surpresa. Quero receber aquela minha amiga que não vejo há tempos. Quero escutar aquela com quem nadei de manhã. Quero ser melhor amiga da minha irmã e poder deitar no seu ombro e chorar minhas saudades, minhas dores. Quero ser a melhor mãe possível da minha filha. Quero escrever um livro, fazer uma tese, escrever uma música de amor. Quero cantar uma nova canção e tocar um coração. Quero me encontrar com pessoas, com amores, com sabores. E para aqueles que caminham na vida comigo vida,  peço: respeite o mosaico que sou e tenham a ousadia de mergulhar comigo na aventura que é a vida.



domingo, 24 de fevereiro de 2008

E o amor, alguém achou? - Carla Pepe

E o amor, alguém achou?
By Carla Pepe

Estava hoje refletindo a partir da conversa com uma amiga que está sofrendo. Sofrendo por causa do namoro terminado. Depois de muito refletir vi que não era isso. Era algo mais profundo. Era a dor do amor que não é amado. E percebi que todos nós invariavelmente queremos ser amados. Desde o ventre materno buscamos o amor. Buscamos o seio, o aconchego, o colo. Quando crescemos protegidos, amados por aquilo que somos, crescemos seguros e confiantes, como também egoístas e mimados. Infelizmente, alguns de nós, crescem em espaços de pouca proteção, de lutar árdua pela sobrevivência, de abandono. Nossos pais tentam a todos custo nos ofertar tudo o que tem, mas o que eles tem?

E assim vamos buscando ser amados. Vamos nos anulando, nos calando, muitas vezes nos atrofiando. Não gritamos, esperneamos, porque isso talvez signifique perder pessoas queridas no caminho. Não nos desafiamos, porque isso talvez signifique não conhecer o que está além. E aí quando a vida nos aprisiona, quando a nossa liberdade é posta na mesa, quando nosso grito fica preso na garganta, quando a mágoa fica presa no coração, nesse momento, de frente ao muro, somos desafiados a transpô-lo.

É preciso entender de uma vez por todas que o amor não é condição, é conteúdo, é forma, é essência. É preciso entender que o amor é capaz de superar o grito, a mágoa, o desafio. O amor é metamórfico. E não está longe, não está em cima, nem embaixo, nem fora. Está, onde aliás sempre esteve, dentro...dentro de você, de mim. Porque do amor viemos e ao amor voltaremos. Por isso, essa semana eu proponho a você: desafie-se, enfrente-se, grite, chame aquele amigo para conversar, beije a namorada, o namorado, fale para aquela amiga que você a admira, saia, beba, usa uma roupa diferente, dance, cante agressivamente. Seja você mesmo e outros....os outros que te amem!!!




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Presença - Mario Quintana

Presença

"É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
a folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te"

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Eu sou - Carla Pepe

Eu sou os brinquedos que brinquei, o vestibular que passei, os segredos que guardei, a praia preferida: Arpoador, Prainha, Pontal. Sou o amor que vivo, a conversa séria. Eu sou aquilo que eu lembro.
Sou a saudade da minha mãe, o abandono do meu pai, a infância dificil, a dor daquilo que não deu certo, as marcas daquilo que ficou. Eu sou aquilo que engoli e me calei, aquilo que falei, as decepções que sofri, cada lágrima que deixei cair. Eu sou o que eu choro.

Eu sou o abraço eterno na minha mãe, o beijo da minha irmã, o pulo do sobrinho, a força dada aos melhores amigos, o ouvido que está sempre disponível. Eu sou o braço no qual as pessoas se apoiam, a sensibilidade que grita, o carinho que troca, as palavras ditas. Eu sou os pedaços que consigo juntar, os beijos que eu pude dar, a gargalhada que não deixei calar. Eu sou aquilo que me deixa nua.

Eu sou a raiva: a raiva de não ter alcançado, de não conseguir mudar, de sofrer, de tanto pena. Eu sou desprezo por aqueles que mentem pra mim. Eu sou aquela que rema sem jamais desistir, que teima em simplesmente existir. Eu sou a indignação pela fome, pela miséria, pela humilhação. Eu sou aquilo que me revolta.

Eu sou o que eu reivindico. Eu sou os meus sonhos: de cantar, de gerar vida, de mudar, de tocar, de falar de Deus. Eu sou sopro, sombra, ar, vento, direção. Eu sou a estrada que sempre corre atrás do projeto, do sonho, do plano. Eu sou complexa obra de Deus e simples criatura do mundo. Eu sou aquilo que você vê. Eu sou aquilo que eu preciso, que eu rabisco, que eu traço. Eu sou minhas escolhas, meu proprio espelho, meu itinerário. Meu fim e meu começo.