sexta-feira, 9 de maio de 2008

Para minha mãe

Domingo é dia das mães e como muitos sabem minha mãe e a da Claudia morreu há alguns anos. Quando chegam essas datas (Natal, aniversário, Páscoa) acabo sempre me lembrando dela. Hoje pensei em algumas coisas que eu gostaria de ter dito a ela e não pude. São elas:

Mãe quando eu a idade for chegando e eu tiver meus filhos, quero ser igual a você. E desde já dizer obrigada:
- por sentir orgulho de mim e da Claudia e nos curtir tanto;

- por nos deitar em seu colo mesmo, por nos abraçar e nos encher de beijos nos lábios na frente dos outros nos enchendo de vergonha;
- por nos ensinar que podemos errar mas que devemos assumir nossos erros e suas conseqüências;
- por nos fazer acreditar nas pessoas e nos manter sempre abertas a elas;
- por nos mostrar sempre o lado bom e generoso da vida;

- por nos entender sem que precisemos falar;

- por nos escutar e chamar nossa atenção quando estávamos erradas;

- por nos “obrigar” a nos vestir bem, usar um batom, a nos amar;

- por nos dizer que somos linda e que ninguém tem o direito de dizer o contrário;

- por nos mostrar que o ser humano é mesquinho e egoísta, mas também pode ser amigo e solidário;

- por nos mostrar que nem todo mundo tem tudo que quer, mas que sempre podemos correr atrás do que NÓS queremos;

- por nos dizer que dinheiro não vale algumas coisas que na vida;

- por nos ensinar que temos que ser a melhor amiga uma da outra e que nunca podemos deixar de nos falar;

- por nos mostrar que unidas – eu e Claudia – podemos mais e o amor que nos une deve vir acima de tudo que há na vida;

- por nos ajudar a sobreviver e perceber que vale a pena viver mesmo que por um instante.
- por me mostrar que é necessário amar, amar, amar. Não importa o resultado da equação.

Tudo que somos hoje devemos a você. Se somos pessoas honestas, amorosas, amigas e com uma família linda é porque você nos ensinou lições valiosas. Sabe a coisa que eu mais adorava fazer contigo, mãe, deitar ao teu lado, ler um livro, ver um filme e ter a certeza de que fosse o que fosse, acontecesse o que acontecesse você sempre estaria ao meu lado.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Sou apenas uma mulher (Carla Pepe)

 
Tenho feito um mergulho diário pelo mar que é a minha existência. Venho descobrindo que sou imperfeita sim, com muito prazer. Sou uma criatura criada por Deus, imperfeita, mas que faz tudo que precisa ser feito, que busca ser irmã, amiga, amante, mulher, profissional. Não sou a Brahma, mas sou boa. Trabalho todos os dias, defendo minhas causas, falo, grito, saio com minhas amigas, telefono para minha irmã todos os dias, nado com meus sobrinhos. Vou ao cinema, beijo na boca, pago as contas, corro na esteira, nado na piscina. Viajo a trabalho e por lazer. Gosto de conhecer pessoas, de falar com elas, de escuta-las. Não tenho a pretensão de ser a mulher maravilha, até já achei que era, mas não sou, ufa ainda bem.

Sou apenas uma mulher, graças a Deus. Uma Carla que quer uma vida interessante, uma vida de papo furado, de achar que o dinheiro não é mais importante que minha família e meus amigos. Não quero ser indispensável a ninguém. Quero ser reciclável, peça pronta para ser substituída. Mas quero ser única no sabor com que experimento a vida. Quero poder não fazer nada, cantar sozinha em casa, andar pela rua falando sozinha, sumir de tarde para fazer amor. Quero ganhar uma massagem de surpresa. Quero receber aquela minha amiga que não vejo há tempos. Quero escutar aquela com quem nadei de manhã. Quero ser melhor amiga da minha irmã e poder deitar no seu ombro e chorar minhas saudades, minhas dores. Quero ser a melhor mãe possível da minha filha. Quero escrever um livro, fazer uma tese, escrever uma música de amor. Quero cantar uma nova canção e tocar um coração. Quero me encontrar com pessoas, com amores, com sabores. E para aqueles que caminham na vida comigo vida,  peço: respeite o mosaico que sou e tenham a ousadia de mergulhar comigo na aventura que é a vida.