domingo, 9 de novembro de 2008

Quem sou eu?

Se alguem hoje me perguntar quem sou eu não sei se saberei responder. Porque hoje, mais do que nos outros dias, me sinto uma pessoa desordenada, como se um grande furacão tivesse passado e colocado ao chão tudo que antes foi construído. Não sei hoje o que fazer com essa nova pessoa que em mim habita mas que coexiste com a antiga pessoa. Sinto-me muitas e ao mesmo tempo nenhuma. Estou num período que deveria ser de pura graça, de pura espera, espera pelo nascimento. E me sinto morrendo...e talvez esteja. Talvez seja a morte de uma antiga pessoa que agora é substituída por outra, não melhor, apenas diferente.
E nesse momento de luto, sinto falta de tantas coisas que nem sei por onde começar. Sinto falta da minha mãe, para me ensinar a ser mãe, para me dar a certeza de que sou amada assim mesmo desse jeito torto. Sinto falta da ilusão do terreno seguro, das sensações que sei nominar. Sinto falta das ilusões de um pai que nunca tive e de parente que nunca existiram. Sinto falta da infância com a minha irmã, das velhas amizades, das novas que se foram. Sinto falta de lembrar do que ganhei, e não apenas do que perdi. Sinto falta da minha fé no amanhã, da crença que tudo dará certo e de que é possível mudar o mundo.
Cada dia é feito de reconstruções, de morrer e nascer, de esperar e de fazer acontecer. Hoje experimento o luto, a tristeza, a dor. Quero amanhã experimentar a alegria, o perdão, a festa. Desejo querer recomeçar, ser nova criatura, sem temer o que virá. Quero aceitar o que não posso mudar. Mudar o que não posso escolher. Escolher com quem partilhar. Partilhar com quem estiver no caminho. Caminhar com quem eu amo. E amar, simplesmente amar.