sábado, 30 de janeiro de 2010

O paraíso pode ser aqui...

(Carla Pepe)

Desde que Giulia nasceu ando aprendendo uma coisa valiosa,
mas que eu nunca tinha percebido. Estou aprendendo a ser feliz no pouco que é
muito. Confesso que, logo no início, estranhei todas as limitações que a
maternidade traz: não posso mais isso, não posso mais aquilo, vivo cansada. Também
confesso ter ficado frustrada com a solidão que acabou acontecendo comigo. Ao
contrario do que eu esperava: poucas pessoas vinham me visitar, vinham
paparicar minha pequena. Isso me deu certa tristeza. Mas aí comecei a perceber
que só eu estava perdendo. Estava me concentrando tanto no “padecer no paraíso”
que fui me perdendo. Aos poucos fui aprendendo que a maternidade é um ato
educativo e educar é aprender. Então, aprendi que basta: um pequeno sorriso,
uns murmúrios. Basta ouvir um “mama” desesperado. Simplesmente basta um momento
em que aquela pessoa de 60 cm fica pé sem ajuda para o meu coração bater
acelerado e o mundo parar. Ando aprendendo que minha comida nunca mais será
quentinha; que sou um polvo: consigo ter
oito mãos e alguns pés. Já sei dizer a palavra não e estou buscando me
concentrar nos problemas de verdade: febre, vômito, diarréia. Não preciso de
oito horas de sono, cinco já é perfeito. Cada dia mais percebo que minha
família é tudo para mim e é insubstituível. Estou conseguindo conviver com a solidão e ser
feliz assim mesmo. Também percebo que tão cedo não estarei sozinha. Hoje valorizo
os momentos de sossego, de deitar na cama e observar o mundo parar. Estou
aprendendo a brincar de bola, de boneca. A esconder e achar. A ensinar a dormir
e a acordar. A me perder nas lágrimas da minha pequena e me achar na luz do seu
sorriso. Aprendi que o paraíso existe e ele está bem ali...ao meu lado e tem um
nome: GIULIA.

Brincando de faz de conta

Enquanto esperava que Giulia nascesse tentava imaginar coisas sobre ela. Como seriam seus olhos, o formato do seu rosto, a cor da sua pele. Seria ela sorridente? Séria? Calma? Chorona? Bonita ou engraçadinha? Brincava de faz de conta montando o castelo da princesa que nasceria. Também já começava a desenhar seu futuro: estudaria em boas escolas, viajaria para fazer intercâmbio, leria grandes autores. Também sei que ficaria horas no celular, o computador teria que ser limitado e ficaria o dia inteiro escutando música. Também imaginava como seria seu nascimento, as visitas, a casa cheia, os amigos sufocando. E bom...toda brincadeira de faz de conta uma hora acaba.
E Giulia nasceu!!!! Foi o dia mais feliz da minha vida. Dar a luz, alimenta-la, ver enfim seu rosto, seus olhos, seu cabelo. A família e os amigos reunidos. Todos festejando o nascimento da princesa do mundo do faz de conta real. E chegou Giulia com sua personalidade, com seu jeito próprio e já deixando claro que não veio ao mundo para corresponder minhas expectativas, nem tolerar comparações. Ela é ela e pronto! É séria, é tímida, só faz travessuras se ninguém estiver olhando, só ri em casa e com os íntimos, sente cócegas, adora o primo Caetano. Com a Giulia não tenho nenhuma dúvida do quanto sou amada...sou querida. Mesmo que por breves anos sou o MUNDo de alguém. Tem horas que isso é sufocante, mas quando penso que a minha existência faz a diferença para alguém e esse alguém é a minha filha...nossa, eu choro!!!
Hoje sou mãe da Giulia com orgulho e me contento que ela seja apenas uma coisa nesse mundo: MUITO FELIZ!!!