quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Carta para 2016 - Carla Pepe


Carta para 2016
By Carla Pepe

Querido 2016

Que bom que você chegou assim fresco, lindo, novo, cheio de luz. Desejo que seja onírico, descalço, levemente despreocupado.

Que possamos bater longos e frutuosos papos, aonde a riqueza de escutar e ser escutado, seja maior do que a vaidade de fazer a nossa teoria prevalecer.

Sei que inevitavelmente más notícias virão: tragédias ambientais, a exploração sobre ser humano está cada vez maior, crises existenciais, econômicas estão aí nas previsões. Que possamos nos dar as  mãos para enfrentar juntos, enquanto tivermos amigos tudo será possível.

Também peço papos inteligentes, pessoas inteligentes, filmes agradáveis, musicas gostosas. Beleza é muito mais do que estética.Nos ajude, caro 2016, a nos libertar dos padrões que engessam nossa visão. Que possamos ter várias visões sobre a vida, o mundo, o ser.

Desejo que minha viagem de redescoberta siga em boas companhias, que me ajudem a me divertir, a rir das minhas próprias bobagens. Que sejam companhias dos dias sem sorriso, dos dias em quero parar e elas estão lá, dizendo vamos contigo. Que eu tenha companhias para rir de tudo, para discutir coisas sérias.

Também espero continuar a pular na piscina, almoçar nos lugares preferidos, ser criança com meus três tesouros. Com eles sou sonho, sou céu, sou vida. Caro 2016, mantenha-os sempre por perto, pois eles mantém minha utopia de um mundo melhor vida dentro de mim. É por eles e para eles que sigo lutando.

Por fim, desde já, agradeço caro ano, tua generosidade em estar conosco 365 dias. Que seja dias repletos de: poesia, música, sol, chuva, frio, coloridos, perfumados. Livre-me dos mal humorados e dos mão de vaca (aqueles que economizam amor, afeto, alegria, diálogo, vida, pulsão).

Um beijo com gosto de alecrim e rosa
da sua sempre amiga
Carla





quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Café, por favor - Carla Pepe

Café, por favor
By Carla Pepe
Ele veio trazendo nas mãos o líquido fumegante que me faria acordar. Era novinho e tão lindo que minha mente mente vagou. Pensei nele me encoxando, na sua mão me pegando, na sua boca na minha, na mão descendo até meu ventre úmido. A mente continuou imaginando ele vindo por trás e zas. Forte, firme, quente, ele era tudo que tinha imaginado. 
De repente, ouvi a voz sexy do rapaz novinho e bonitinho da cafeteria: "açúcar ou adoçante?". É a vida sempre dá um jeito de acordar a gente nas melhores horas. Pedi açúcar, afinal precisava de um pouco de emoção no dia.



Verão - Carla Pepe

Verão !
By Carla Pepe
Menina de decote 
Corre corre e se sacode
Deita na areia
Queima e deixa marquinha
No biquíni cortininha
Não liga para estria ou para celulite
Quer mais é ser feliz
Menina do sorriso franco
Deixa o sol arder na tua pele nua.
Menina do olhar intenso
Deixa o mar bater na tua coxa
Mergulha que nem moça.
Você é linda, toda toda.
É verão !
Você morena é pura sedução
É verão morena
Sorri e vai para o mar
É verão morena
Você brilha linda linda


Te Querer - Carla Pepe

Te Querer
By Carla Pepe


Quero querer você 
Quero me perder em você
Quero você por pouco
Por muito
Por um segundo
Por uma tarde inteira
Uma noite de bobeira
Talvez não seja tarde
Para você me seduzir
Quero você
De costas e de frente
De joelhos inocente
Nós dois assim
Frente a frente
Querer você é paraíso
Você é o que preciso
Querer você é bom demais!


Intimidade - Carla Pepe

Intimidade
By Carla Pepe
Intimidade é teu sorriso largo
Teu olhar profundo
Tuas lágrimas sentimentais
Intimidade é você toda nua
Deitada ou na rua
Cheia de pensamentos
E atitudes vis
Intimidade é conhecer-te inteira
Ver você falar besteira
E se aborrecer também
Intimidade é ter sua amizade
Sabendo da sua bondade
Em me ouvir sempre que preciso.
E dar- me um leve paraíso e a possibilidade de ir além.
Intimidade é te ver menina,
Mulher, carente, feliz,
Linda, sem filtro, sem freio,
Brava, chata, intelectual.
Tantas faces de uma mesma mulher sem igual.



Algumas lições para 2016 - Carla Pepe



Algumas lições para 2016 
By Carla Pepe 

DESPIR-SE pode ser mais fácil do que você pensa, difícil mesmo é desnudar sua alma. Contar seus sentimentos, suas fragilidades, seus medos, suas coisas mais bobas;

Para ser SENSUAL é preciso mais do que um corpo malhado, siliconado, sarado. É necessário uma mente aberta, sem receios, pudores, conhecedora dos seus próprios limites e desejos;

Ser inteligente é muito excitante e quando isso se  combina a um SORRISO largo e  um olhar franco, você fica fulminante. Um batom colorido bem sensual também ajuda;

ERÓTICA é a alma que sabe seus desejos, seu respeito e amor próprio, sua capacidade de ir além e de não fugir do confronto quando ele for necessário;

O exercício de ficar em frente ao ESPELHO é um dos mais legais para auto-estima, afinal, quem melhor do que você para saber quão sensual e erótica você é;

Suas estrias, celulites e cicatrizes nada mais são do que provas do caminho que você traçou para ser quem você é. Cuide-se, AME-SE, deixe a vergonha de lado e encare-se de frente. Você é linda demais;

Alguns homens não passam de garotos grandes e sempre vão querer meninas "novinhas no grau". Fuja de encaixar-se nesse padrão. Caia fora, caso não queira! Eles não merecem o MULHERÃO que você é;

Ser dona de SI MESMA: do seu corpo, da suas decisões, dos seus desejos é muito divertido. Até mesmo quando se quebra a cara é possível dar boas gargalhadas;

Liberte-se dos estereótipos, rótulos e preconceitos. Nem todo gordo é sedentário, nem todo magro é sexy, nem todo negro é sexual o tempo todo. Você é um conjunto de TANTOS elementos e sofre tantas influências que ESTAR VIVO já é uma grande vitória;

E a melhor de todas as lições: faça SEXO sem dia, hora, e até mesmo lugar. Não importa se hoje é quinta-feira, se é de manhã ou de madrugada, se está na piscina ou na sala de casa. Faça...É bom demais...a vida é feita para quem sabe dela aproveitar!!!!







terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Pequeno Conto de Liberdade - Carla Pepe

Pequeno Conto de Liberdade
By Carla Pepe
#Carla440

Eles iam e voltavam. Ela já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha acreditado nas histórias dele. De quantas vezes transaram em reconciliação, quantas foram as sem perdão. Quantas vezes, ela chorou nos ombros das amigas dizendo que nunca mais. Até ele reaparecer, sempre com aquela cara, com aquela voz, com aqueles beijos.

As vezes ele bebia demais e falava coisas sem sentido. Outras vezes, ela acabava se envolvendo com outras pessoas só para fazer ciúmes. Era um jogo no qual ambos acabavam perdendo. Ela sentia que estava cansando. Já não era mais a mesma de antes. Algo tinha mudado. Ela só não sabia precisar o quê.

Naquele final de tarde, ele apareceu no seu trabalho, perfumado, lindo como sempre. Ele chegou perto dela, e ao invés do elogio, já foi logo dizendo que era melhor irem a um hotel para ela tomar um banho e mudar a roupa que ele havia comprado, da mais nova grife-cara. Aquilo a incomodava. Ela nunca era suficientemente boa para ele. Era sempre inadequada. Mas, como robô automatizado, ela seguiu.

No hotel, ela tomou o banho, passou o perfume novo, vestiu a lingerie nova. Transaram bem devagar. Como numa dança, ela o beijou, o chupou, o sugou, o sorveu. Ela o levava a loucura, com seus seios fartos, com suas coxas grossas, suas pernas morenas. Alguém um dia a descobriria, esse era o medo dele. Por isso, a necessidade esconde-la sob roupas chique mas sem graça, sem cor, sem céu.

Ele lhe dava prazer era verdade: lhe absorvia o sexo com vontade, lhe comia de quatro, em pé, em qualquer lugar. Mas ela queria mais da vida. Queria ser quem era: queria a cor, o brilho, as estrelas, o sol. E no final daquela dança sensual e de despedida, ele adormeceu. Ela se vestiu com suas velhas roupas desbotadas sem grife nem nada. E seguiu senhora de si mesma, livre enfim para simplesmente ser ela mesma.


Ano velho-Novo ano - Carla Pepe

Ano velho-Novo ano
By Carla Pepe

O que você fez no ano que passou ? 
Amou mais ?
Perdoou mais ?
Gozou mais ?
O que você deixou de fazer ?
Se divertiu de menos ?
Riu pouco ?
Falou pouco ?
Silenciou menos ainda ?
E ainda te pergunto o que sonhou fazer ?
Falou com aquele rapaz ?
Realizou aquela viagem ?
Dançou aquela música?
Viu aquele filme francês?
Beijou aquela boca ?
Discutiu aquela nova ideia?
Corre menina ainda dá tempo
O ano novo te espera desde sempre !!!


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Arquiteta de mim mesma - Carla Pepe



Arquiteta de mim mesma 
By Carla Pepe

Ergui paredes sob o sofrimento do passado.
Sob as cicatrizes do abandono
construí minhas novas colunas.
Minha pedra fundamental está sob
o amor essencial daquela que me gerou.
Meu sorriso largo é a porta da casa que agora eu sou.
E meu olhar profundo, é a janela de onde brilha
a luz que ilumina minha nova construção.
De novas cores me desenhei
Pintei com rosa paredes da minha fragilidade e delicadeza
que brotam das lágrimas que derramo frente à aspereza da vida.
Usei vermelho que vêm da paixão, do ventre, do gozo, do desejo, do meu querer.
Do meu despir, do meu agir, do sentir, do meu pulsar.
E de azul, pintei por fora minha casa, pois é a cor da lealdade e do infinito,
pois esse é meu caminho e aquilo que em que acredito.
Descobri que sou arquiteta de mim mesma.
Capaz de soerguer a mais bela obra que já criada.
E na busca incessante descubro que sou obra inacabada, mas ainda assim,
pela arquiteta, muito amada.
Sou criatura, do criador, sou gerada.


As 10 lições de 2015 - Carla Pepe


As 10 lições de 2015 
By Carla Pepe 


1)Quem define sou eu: mulher, louca, criança, Maria, vadia, intelectual, poetisa, contadora de histórias, arquiteta, engenheira, tudo e um pouco mais. Tomei banho de mangueira, pulei alto na piscina, tomei e dei caldo, gargalhei das coisas mais bobas, aprendi a dar uns socos. Meu limite é o céu;

2) Percebi que é melhor adotar crianças e cachorros a criar expectativas sobre os outros. "Eles são os outros e só", como diria Paula Toller;

3) Descobri minha capacidade de lutar pelo que acredito e de poder transformar o mundo, a começar por mim mesma. Acredito que a mudança do meu pequeno universo particular passa pela esquerda;

4) Descortinei um verdadeiro universo de sons, sabores, autores, poetas, filmes, séries. Se quiser, aceito sempre boas sugestões, podem ser em português, inglês, francês, japonês e até Swahilii;

5) Aprendi novas palavras (mitou, lacrou, manucu, rassifude, entre outras) e cultivei conceitos: ousadia, coragem, alegria, equilíbrio(esse ainda levo para continuar trabalhando em 2016). Ter ido em brinquedos de simulação foi um dos maiores desafios internos que enfrentei esse ano. E foi fantástico ver meu poder encarar de frente meus medos e inseguranças;

6) Falo o que eu penso, quando quero e para quem eu quero. Emprego um tempo valioso com as conversas que realmente valem a pena. Para mim, o diálogo é essencial para compreender a realidade. Sou capaz de mudar de opinião depois de dois dedos de prosa;

7) Conheci pessoas fantásticas: algumas sempre orbitaram em minha vida, mas pude conversar mais com elas em 2015 e ver o quanto tornam minha pequena existência diferente, o quanto acrescentam e o quanto me ensinam. Um brinde, com cerveja puro malte, às boas amizades;

8)  Meu sorriso é único, e mesmo que em alguns dias eu perca a vontade de sorrir, sempre haverá um novo amanhecer para começar tudo novo de novo;

9) Desvendei o início de um caminho singular, colorido, ladeira acima, sem estereótipos, rótulos, freios. Meu corpo é meu e é lindo. Me desnudei: passei a usar biquíni, decote, batom colorido, óculos colorido, blusa colorida, sainha, shortinho. Tudo muito colorido porque essa sou eu;

10) Quem me ama, me ama e pronto. Sabem quem eu sou, tem acesso a minha vida. Se quiser, pode chegar!!!

2015 o ano do nude!!! Que venha 2016 !!!







                                                                 

Dany - Carla Pepe



Dany
By Carla Pepe

Ela parecia meio louca, meio menina, meio brava, meio sem definição. Gostava de brincar com a criançada do bairro. Sempre que ele a via, ela estava com a gurizada: carniça, pega-pega, pique-esconde, banho de mangueira no calor. Os adolescentes também a adoravam era uma boa companhia, curtia todo tipo de música e sua casa estava sempre aberta a eles. Afinal, tinha uma filha de 14 anos, conhecia bem seu universo. Ele assistia tudo de longe sem entender como era aquela mulher: professora séria, adolescente risonha, moleca criança, tantas mulheres em uma só. Era muita confusão pra cabeça quadrada dele.

Num canto da boca, ele dava sempre um meio sorriso com as bagunças que ela arrumava. Dany, isso lá era nome, mas era assim que ela se chamava. E nem como uma mulher de 40 ela se vestia. Quando não estava de roupas de trabalho, estava de short, camiseta, minissaia. E com o corpo volumoso, parecia que tudo chamava ainda mais a atenção. Se fosse magrinha, passaria despercebido, mas era farta a mulher: coxas, seios, bunda. Só de pensar, ele suava. Melhor era cuidar da sua loja e deixar a mulher sem definição para lá. Hoje ela resolvera ficar ali chupando picolé de blusinha decotada vermelha bem em frente a loja dele com a criançada. Afe Maria, a mente dele viajou no picolé, na blusinha decotada, nos seios dela, numa cama, ela nua. No entanto, ela nem sabia da existência dele.

Dany estava brincando com a criançada tentando esquecer a discussão da noite anterior. A vida, as vezes era dura demais, era preciso brincar para superar as adversidades. Ela já tinha notado os olhares do rapaz da loja e tinha um interesse nele. Seria bem bom voltar a ter alguém para as noites quentes.  Esse picolé com a blusa decotada na porta da loja tinha sido de propósito. Os homens eram tão bobos, ela riu por dentro. A vontade era entrar e chama-lo para uma cerveja no final do expediente, mas ele poderias se assustar diante da sua atitude ousada. Aff...era uma mulher que sabia exatamente o que queria. Não queria compromisso. Queria um homem para dividir umas noites de tesão.

Naquele dia, ela se meteu numa encrenca terrível e precisava de ajuda, entrou na loja dele esbaforida. Ele disse que no final do expediente passaria lá e a socorreria. Ele vai até lá, decidido a ser bem rápido. Ao chegar lá, ele presta o auxílio pedido, ela oferece uma água aromatizada e uma fatia de torta como forma de retribuição. Ele não consegue tirar os olhos das coxas grossas no shortinho e da blusinha de alça sem sutiã. Jesus! Ele queria era beija-la. Dany já estava perdendo a paciência com ele, porque ele não a beijava de uma vez, logo naquele dia que sua filha só voltaria no dia seguinte a tarde. Ela percebeu que ele não tirava os olhos do decote nem dos seus lábios. O que acontecia com ele? Talvez fosse sua atitude? Seu corpo volumoso? Bom, ele quem perderia. Ela se amava exatamente como era.

Na hora de ir embora, seus corpos se esbarram e Dany resolve ser mais do que ousada, afinal tinha pouca coisa a perder e diz para ele "eu preciso de outra ajuda". Ele pergunta qual. Ela diz "na minha boca, ela quer saber como é beijar a sua". Nem precisou de convite, ele a beija com sofreguidão e premência. E suas mãos percorrem o corpo dela com urgência. Ele pega seus seios com força e jeito e começa a despi-la. Ela também percorre o corpo dele com as mãos despindo-o com necessidade. E assim, numa louca dança, os dois vão percorrendo seus copos. De joelhos, ela o suga vagarosamente levando-o ao paraíso e quase ao gozo. Mas era cedo demais. Ele a queria a noite toda e nem sabia explicar porque. Ele a deita na cama e a percorre como se adora uma deusa do amor e da paixão. E a beija demoradamente em cada pedaço do seu corpo. Ele a coloca de quatro, beija sua nuca, como nunca dança de amantes que já se conhecem há décadas, a penetra com gentileza e vontade. A vontade de que aquele momento virasse eterno.

A noite é dos amantes loucos e sôfregos. Eles dormem exaustos. Quando ele acorda, ela não está mais na cama. E ele não sabe o que fazer. Ela aparece de roupão, linda, fresca, grande, sorriso no rosto, olhar sensual. Bom...acho que o fazer era deitar com aquela mulher e começar aquela dança toda de novo enquanto fosse possível. Depois, ele pensaria...mas só depois.









quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Ultimo Natal - Carla Pepe



Ultimo Natal 
(Para minha mãe)
By Carla Pepe

Se eu soubesse que aquele seria nosso último Natal
teria te dado mais beijos
mais abraços.
Teria passado ele todo abraçada contigo.

Se eu soubesse que aquele seria nosso último Natal
teria te comprado o melhor perfume
não teria discutido por tanta bobagem
teria ficado a noite inteira falando sacanagem.

Se eu soubesse que aquele seria nosso último Natal
eu teria assistido Dirty Dancing mil vezes com você
beberia coca-cola e comeria pipoca até o amanhecer.
teria feito martini bianco até me perder.

Se eu soubesse que aquele seria nosso último Natal
mil eu te amo eu te falaria
tua comida predileta eu cozinharia
e deita nas tuas costas eu dormiria.

Se eu soubesse que aquele seria nosso último Natal
tantas coisas eu faria diferente.
Mas a verdade é que o amor não precisa esperar o último natal.
porque o amor é e sempre será. 
Enquanto você aqui existiu, foi amada, exaustivamente amada. 
Insistentemente amada. Infinitamente amada.
Por nós tuas filhas. 

E nosso último Natal juntas foi assim...só nosso. 
do jeito que tinha que ser. 
Mas me permita, de vez em quando, chorar no cantinho, 
aquele choro baixinho para ninguém ver.



Re-natal - Carla Pepe


Re-natal
By Carla Pepe

 Hoje o dia tem cheiro de melancolia
Tem o suave sabor das lágrimas de ficar
olhando as velhas fotos de família.

Hoje o dia tem saudade dela
que nada tinha de singela.
que na vida era Maria grossa,
Severina, Maria mãe, Mavirose, brava Rosa.

Hoje o dia tem gosto de choro
do abandono dele, da dor, da falta.
da rua, da penúria, da luz alta.
Pai é conceito que não sei.

O dia tem também sabor de reinvenção
da risada da criança
do sabor da esperança
de ver papai noel.
e de saber que lá no céu, alguém olha por nós.

O dia acaba, enfim, e amanhã outro dia virá
nova chance de recomeçar.
De sorrir e de vida nova lutar.
da voltar a acreditar, de ter fé e, poder,
finalmente descansar.




quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Mo & Mo - Carla Pepe



Mo & Mo
Para duas pessoas que eu amo e que se amam, porque amor é construção!!!
By Carla Pepe

Ele tinha ido aquele lugar de má vontade com os amigos, não sabia dançar direito e preferia ficar no bar bebendo, vendo jogo e conversando. Era um ambiente era para dançar, zoar e para beijos de uma noite só. Mas seus amigos tinham insistido em ir, afinal era o point do momento e todas as meninas mais gatas estariam lá. Bom, ele ia ficar sentado, quieto, no seu canto, tomando sua cerveja, vendo jogo naquele lugar barulhento. Estava meio mal humorado naquela noite.

Ela adorava dançar e era tudo que ela queria: dançar, dançar, dançar. As amigas a tinham chamado para o novo lugar da moda. Diziam que era tudo de bom e que o DJ era massa. Ela iria experimentar e aproveitar a noite. Ela morena da cor do pecado, cabelos enrolados, baixa, mas do tamanho ideal. Naquela noite, resolveu sair de arrasar: sainha rodada, decotinho, blusa branca nova, batom vermelho. Chegou no lugar da moda e já se jogou na pista de dança. Ela esbanjava sensualidade no sorrir, no olhar, no dançar. Estava queimada do sol de verão do Rio de Janeiro.

Ele bebericava sua cerveja quando a morena entrou na pista de dança. Morena linda, da cor que o diabo gosta, parecia feita só para ele, sob medida. Ela tinha um corpo escultural: bunda, seio, coxa. Mas ela dançava que era uma lindeza e ele? Ele não dançava nem 1,2,3. Afe...e agora? Como se aproximaria da gostosa? Quem sabe ela sentiria sede? Afinal, ela estava dançando fazia um tempo. Levaria uma bebida pra ela e puxaria um assunto. E é o que ele faz, vai na direção dela com uma bebida na mão. Quando eles está se aproximando da gata,  alguém esbarra e toda a bebida vai parar na blusa branca nova da morena-dançarina-toda-gostosa. Putz! Todas as chances dele tinham ido por bebida abaixo. Ela esbraveja e dá um grito, exclamando um palavrão. Ele tenta secar, mas a morena fica irritada.

Ela caminha rapidamente até o banheiro, furiosa com o carinha que lhe havia derrubado a bebida em sua blusa nova. Na saída, ele a está esperando para pedir desculpas, ela nem o deixa falar e começar a esbravejar sobre quanto custou a roupa que ele havia sujado, como trabalhava duro, entre outras coisas. Ele só conseguia pensar no quanto seria gostoso beijar aquela boca carnuda. E resolve ter uma atitude ousada e rouba o beijo da morena, que fica sem ação. E não é que o cara beijava bem? pensa logo a morena.

Eles tem uma química que torna impossível não corresponder. O beijo tem urgência, sofreguidão, luxúria que a escuridão do lugar permitia aos dois. As mãos dele procuravam o corpo dela: sua nuca, sua bunda, seus seios. Era impossível se controlar. O lugar, dentro do point, em que eles estavam lhes permitia certa privacidade e eles continuavam aquela dança sensual, reservada e a dois. Ela não acreditava no que estava acontecendo com ela. Tinha acabado de encontra-lo, mas era como se o conhecesse há tempos. Estavam praticamente transando num lugar público. As mãos dele procuravam seu ventre úmido e quente. As mãos dela buscavam com pressa seu membro rígido. E aquele rebuliço continuou até que não foi possível mais aguentar: ele afastou a minuscula calcinha fio dental e, sob a proteção dos santos das camisas, a invadiu ali mesmo de costas. A dança sensual estava completa.

A cabeça dela rodava e agora como seria? nem sabia o nome dele. Só sabia que gostaria de ficar com ele até o sol raiar. Mas quem sabe o que seria depois daquela dança...Bom...ela só queria saber de dançar...dançar..dançar...





domingo, 20 de dezembro de 2015

Nina, a espanhola



Nina, a espanhola
By Carla Pepe

Nina era uma mulher de 40, bonita, pequena, volumosa, seios fartos, coxas grossas, cabelos com coloridas e poderosas faixas no cabelos. Ela tinha uma boca carnuda, inteligente e sempre uma opinião sobre tudo. Quando ela sorria, o rosto inteiro sorria junto. Seu olhar emanava uma sensualidade sem igual, mas ela parecia nem notar. Gostava de samba, cerveja, rir, conversar, sair com os amigos. Era caixa de uma loja de acessórios e militante de movimentos sociais.

Naquele dia, ela estava irritada, tinha discutido com a mãe mais uma vez. Sua mãe estava sempre falando sobre seu corpo. Ela se achava linda e se cuidava. Gostava do seu corpo exatamente como era. Cada curva, cada sinuosidade. Fazia sua aula de dança três por semana e se alimentava de forma saudável, mas amava quem era. Ela definia seus próprios padrões. Cada um na sua, mas sua mãe não entendia. Queria que ela fosse como Dorinha, sua prima magrinha-sarada-botox-academia. Nada contra Dorinha, mas ela se chamava Nina. Aff. Já tinha passado da hora de sair da casa dos pais.

No caminho, eles tinham se esbarrado quando ela fora comprar um copo de café preto. Precisava desse líquido para começar a funcionar. Ele era amigo de uma amiga e já o tinha visto no boteco onde tomava umas cervejas nas 5as feira. Sempre que começava algum tema polêmico, eles divergiam nas opiniões. Mas até que ele era bonito e tinha umas mãos, que ela sempre imaginava pegando a sua bunda. Afe Maria. Tudo que ela precisava num dia como aquela era uma boa transa e nada mais. Mas não ia rolar porque seu PA estava viajando. Sua amiga a chamou para habitual cerveja e ela topou é claro.

Chegando no bar, depois do exaustivo dia na loja, Nina viu que já estava maior galera com sua amiga na mesa, inclusive ele. O papo começou animado, mas eles novamente estavam discutindo em todas as opiniões. Ela decidiu, então, que era melhor ir embora, sentia-se cansada e as discussões não ajudavam. Despediu-se de todos e caminhou para fora do bar, quando sentiu uma mão pegando no seu ombro gentilmente: "já vai?" Ela retruca sobre o dia de trabalho e sai caminhando. Ele sem saber porque vai atras dela e insiste em ir com ela até o ponto do ônibus. Algo naquela mulher lhe causava um tesão enorme, talvez fosse boca pintada de batom, os generosos seios sempre em bons decotes ou a postura sempre altiva diante da vida. O fato é que ele gostaria de beijar-lhe a boca, tirar-lhe a roupa e transarem a noite toda, até que não lhe restassem mais palavras.

No meio do caminho para o ponto, ele resolve obedecer seus instintos, pega Nina pelo braço e a puxa para si e a beija com cobiça e desejo. Ela corresponde ao beijo com pressa e nervosismo, tudo que ela queria era aquele beijo e muito mais dele. As mãos dele exploram o corpo dela até chegarem nos seios, onde se demoram. As mãos dele eram tudo que ela havia imaginado. Ele sugere em seu ouvido irem para algum lugar privado. Ela aceita na hora.

A noite dos dois é feita de sexo sem freios, sem repreensões. Aquela mulher não tinha limites ou posições proibidas. Ele pegou de quatro, de lado, de frente, em pé. Ela rebolava e tinha uma vontade. A visão daquela mulher de quatro era pura lascívia e parecia entregue a tudo que ele quisesse. Ela tinha uma sensualidade, uma sinuosidade. E seus seios? eram puro deleite. Fazer a espanhola nela foi uma das melhores coisas dos últimos tempos. E ao final, ela o sorveu com calma e volúpia, afinal ele era delicioso.

Quando tudo acabou, Nina, sem nenhuma vergonha, caminha nua pelo quarto, o chama para o banho e lhe diz com toda gentileza que estaria indo embora. Ele, atônito, pois achava que eles ficariam a noite e discutiriam os rumos da relação (talvez se tornassem amantes regulares, na opinião dele). Ela, diante da perplexidade dele, arremata "mas se quiser outras vezes a gente pode combinar, afinal 5a feira é sempre um bom dia para uma boa cerveja..."








Tuas mãos - Carla Pepe


Tuas mãos
By Carla Pepe

Quero tuas mãos no meu corpo
desabotoando minha saia.
Quero sentir tuas mãos na minha nuca
me pegando de jeito.
Apertando meus seios.
Vem não me deixa esperando.
Vem que eu estou te desejando.
Quero tua mão me pegando.
Quero tua boca me beijando.
Tuas mãos me excitam.
Tuas mãos me fascinam.
Te quero sem demora.
Te quero agora.
Sem hora.
Pelo dia afora.
Me deita, me namora.
Me beija, me evapora.
Quero tua mão...
Quero..ai se quero...







quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Aninha - Carla Pepe


Aninha
By Carla Pepe

Ela usava chats e sites de namoro para se relacionar. Num dos chats de conversas, conheceu ele e bateu uma conexão instantânea, eles falavam de musica até futebol. Nunca se viram, mas rolava uma identificação e até um certo flerte. Sempre ficava algo implícito nas conversas entre eles mas até hoje nada ficou claro. Ela morria de vergonha de seu corpo. Era corpulenta, baixinha, morena, de seios fartos, coxas grossas, boca carnuda. Faltava-lhe a ousadia de propor um encontro com ele. Pelas conversas, ele parecia ser bem bonitão, e como seria sua reação ao vê-la. Gostava da fantasia das conversas, da amizade sem cobranças, sem pressão, que o chat permitia.

Ele já vinha insistindo em um encontro entre eles, afinal queria saber quem era a moça com quem se reconhecia. Sentia que rolava entre eles uma tensão sexual forte. Ele também vinha querendo conhecê-la saber o que aconteceria entre eles. Numa noite em que ele tinha bebido um pouco demais, acabara falando no chat a fatídica frase: "quero muito te conhecer e beijar tua boca." Ficara com medo de que ela desaparecesse, por causa do silêncio posterior. Mas de forma surpreendente ela continuara a conversa no dia seguinte. E o que antes era implícito, ficara explícito. Foi impossível fugir do assunto e acabaram marcando um encontro, afinal descobriram que moravam na mesma cidade.

No dia do encontro, Aninha estava muito nervosa, mas determinada a ter toda coragem para ir ao encontro. Colocou um vestido vermelho, um generoso decote, uma lingerie sensual. O lugar marcado era a meia luz  e favorecia a necessidade de beijos que ele tinha. Ele a viu chegar no lugar, precisa confessar que ela não era seu perfil de mulher, mas algo no sorriso e no olhar emitiam uma  sensualidade sem fim e lhe convidavam a sair direto dali para um ambiente a dois. Ele caminha na sua direção, segura sua mão, sente o leve tremor e lhe diz: "vamos sentar ou prefere ir para um lugar mais reservado onde possamos conversar mais a vontade?"Aninha responde audaciosa: "prefiro sair daqui e ir a um lugar mais reservado."

Com o coração acelerado, Aninha vai com ele a um discreto hotel. Lá eles conversam por algum tempo, na tentativa de quebrar o nervosismo, quando finalmente ele toma a dianteira e faz algo que já vinha desejando lhe dá um beijo, daqueles de prender a respiração. Nesse momento, o tempo, os medos, os receios de Aninha se desmancham no ar, no beijo, no sabor daquele encontro furtivo. A língua dele entra na sua boca procurando a sua. As mãos dele procuram seus seios, seu corpo e ela não oferece qualquer resistência. Resistir para quê? Queria aquele homem com urgência.

As mãos de Aninha começam a procurar o corpo dele, até chegar ao membro turgido para senti-lo próximo a seu corpo. Ela perde qualquer insegurança ou inibição. Ele a despe demoradamente e ambos se entregam numa dança sensual e sem pudores. Ele a pega forte pelas fartas nádegas e vem de jeito. A moça emite um grito grutural de prazer. Ela se delicia com ele e suga seu jato numa noite ardente de paixão e ousadia. Não pensava nem como seria a próxima hora. Só queria saber das maravilhas do corpo e da boca daquele homem. E ele daquela mulher maravilhosa.

No final da noite, ambos extasiados, sem que precisasse dizer algo, Aninha se arruma e começa a ir. Ele pergunta porque ela estava indo. Ela diz com um sorriso no rosto que precisa ir, mas que esta aberta a novos encontros, afinal a noite tinha sido maravilhosa. Ele fica ali sem entender a mulher, achando que ela ficaria com ele até o amanhecer.

Na manhã seguinte, a moça pega o celular e entra no chat, afinal a noite tinha sido de descobertas...muitas descobertas...




segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Ela - Carla Pepe


Ela 
By Carla Pepe

Um dia ela saiu determinada pela vida. Simplesmente parou de viver a margem de sua própria história, pronunciou-se de sua existência Senhora. Gerou inúmeras personagens para si mesma: Carla, Madonna, Aracy, Mercês, Geny. Cada qual com sua característica, desejo e vontade, no entanto todas elas protagonistas de uma única crônica: a sua.

Numa bela manhã ensolarada de verão, simplesmente ela mudou a roupa: alcinhas, decotinhos, sainhas, shortinhos, biquínis, lacinhos. O vermelho, o rosa,  o azul e o amarelo ganharam lugar no varal. Na gaveta, muitos tons e combinações. O corpo continua igual, o que mudou foi a atitude, a ousadia, os modos. Peito estufado, coxas grossas, cabeça empinada e nas mãos: um brinde. Cerveja, Prosecco, Coca-cola, ela é eclética, vale até água mineral.

E lá pela tarde ela quebrou a cara, fez boas tentativas, arriscou-se diante do inédito, do que nem ela acreditou ser possível. E assim, ela chorou. Chorou suas decepções, seus adiamentos, seus constrangimentos, até mesmo seus afetamentos. Mas aprendeu. Aprendeu a sempre tentar, a seguir, a se expor, a sentir, a tentar, a partir para mesma, para outra, para fora, para lida que a hora é agora. E ela vai embora seguindo o fluxo.

E chega a lua, a noite. Ela que é mulher intensamente apaixonada. Ah, paixão ela tem de sobra. Do ventre transborda cheia de ardência, de querência. É moça que sabe o que quer, como quer e onde quer. Ela descobriu sua potência, sua cadência, até mesmo sua inocência. Faz suas escolhas com consciência, a qual é fiel com malemolência. Não se importa com o que possam dela pensar, apenas sabe que quem está na chuva é para se molhar.

E o público que assiste a tudo meio abismado, sem saber se aplaude o espetáculo, das facetas da moça antes tão séria, se pergunta o que anda acontecendo. Cochicham entre si, aqui e ali, o que será que aconteceu a tal Carola. Ela explica que  a tal carola era apenas uma faceta da mulher que é agora.

E como todo espetáculo tem seu ápice, a morena de mil nomes, abre os braços, com breve medo e muita ousada, e se lança sem saber aonde. Sabe apenas que vai: chorar, errar, cair, mas também, levantar, aprender, sorrir, e o melhor de tudo, gargalhar porque aprendeu que a sua existência, só é possível, se for intensamente vivida.






Na chuva - Carla Pepe


Na Chuva
By Carla Pepe

Ela gosta de tomar banho de chuva
Nasceu para andar nua
Nua naquilo que pensa.
Nua em apenas viver.

Seu sorriso é tão sensual
Quanto seu decote fenomenal.
Seus seios fartos são adornos
de uma mulher com um cérebro de grande contornos.

Ela não teme o que pensam dela.
Pois é luz na passarela.
Ela rompe os estereótipos.
Já que é senhora de si.

No carnaval da vida, decidiu vestir sua própria fantasia.
É Colombina que não precisa de Pierrot.
Ela ri e gargalha para vida.
Pois é moça brava e atrevida.
Não dá mole nem guarida.
Não baixa guarda e é bem resolvida.
Por isso, toma cuidado
senão você fica na pista.






sábado, 12 de dezembro de 2015

Aracy - Carla Pepe

Aracy
By Carla Pepe

Ela o admirava à distância sempre que ele passava por ela nas idas à casa da D. Rosinha para fazer faxina. Ela passava e ficava olhando para ele de rabo de olho na padaria/vendinha que ele trabalhava. Ele tinha uns braços e umas mãos que ela sonhava que a pegasse de jeito. Quando isso acontecia, acordava, se resolvia bem sozinha e tomava um banho. Mas que toda vez, que passava por ali, se contorcia para mirar o cabra.

Zé já tinha percebido os olhares de Aracy para cima dele, mas ele não queria complicação. Não tinha tempo nem dinheiro para gastar com mulher. Quando a coisa apertava, ele resolvia a situação, com sua amiga de muito tempo. Eles não tinham problema entre eles e tudo já era meio acertado, sem cobranças ou queixas. Contudo, a morena mexia com ele. Ele sabia que eram os seios fartos nas blusas de alcinhas, os shortinhos, as coxas grossas, o corpo volumoso, a bunda grande. Nossa, só de pensar ele ficava rígido. No entanto, ela era encrenca. Era mulher de compromisso. E ele só podia oferecer lascívia, muita luxúria.

Naquele dia, ela precisou entrar na vendinha para comprar pão para o lanche da noite e eles acabaram se esbarrando. Ela estava recém-saída do banho, com uma de suas blusas de alça, seus shortinhos e cheirosa. Ele conseguia ver a mínima calcinha marcada no short apertado. Como uma mulher daquele tamanho poderia usar uma calcinha tão pequena? Mulher danada!!! E o sutiã rendado? Dava para ver tudo naquele decote. Será que ela não via isso? O melhor mesmo era servir logo a morena e deixa-la seguir seu caminho.

Aracy resolveu ser ousada e não perder mais tempo, virou para Zé e falou: "quer tomar uma cerveja comigo? Pode ser no boteco do Sr. Manolo ou lá em casa mesmo?". Ele ficou mudo diante da coragem da mulher. E agora:? Para evitar comentários maldosos, resolveu dizer a ela que passaria na casa dela para a cerveja no final do expediente. Aracy animada com a resposta resolve ir para casa preparar algo, dar uma ajeitada nas coisas, especialmente na cama. Afinal, o rapaz não sabia o que ela pretendia. Não queria compromisso com ele. Queria cama, libertinagem, sexo a noite toda. Tinha cansado de ser boa moça. Já passara da fase disso.

Zé estava com a cabeça doendo de tanto pensar se ia na casa da morena ou não. No final, julgara melhor ir até até lá, afinal seria falta de educação deixa-la esperando nem que fosse para comunicar que não poderia ficar. Contudo, ao beber o primeiro copo da geladíssima cerveja oferecida pela voluptuosa morena ele percebeu que estava perdido, nem que fosse por um noite. A mulher estava cheirosa, decotava, pernas brilhantes, boca pintada de batom, a casa numa certa penumbra. Ele quase perguntou se faltava dinheiro para pagar a conta, mas achou melhor manter calada a boca. Tudo no ambiente levava Zé a pensar na morena espalhada na cama, sentada em cima dele, por cima, por baixo. E ele ficando enrijecido.

Aracy percebe a tensão no ar e o enrijecimento de Zé, por dentro está feliz de causa tal reação no homem afinal como leva-lo para cama se o cabra não sentisse atração por ela? Não iria amarra-lo e trepar a força. Logo, já estava a meio caminho andado. Agora, era dar o primeiro passo. Todavia, quis o destino chacoalhar os planos de Aracy e ela tropeça no tapete da sala, indo parar direto no colo de Zé, ficando encharcada de cerveja. Zé fica lívido, pois seu cérebro imediatamente vislumbra a morena nua tomando banho.

Ele não se contém e beija a morena com sofreguidão sendo logo correspondido com uma querência por ela. As mãos dele percorrem o corpo dela e demoram-se nos seios fartos, apertam, seduzem, nossa era tudo que ele havia imaginado. As pernas dela cruzam os quadris dele e ele enlouquece. Que mulher era aquela. Sem demorar muito, eles estão no quarto, nus, na cama de Aracy. Aquele corpo volumoso completamente submetido ao sexo, ao prazer era muito mais do que ele esperava. Nunca tinha tido uma mulher como aquela que experimentava sem frescura, sem freio, sem pose. Foram posições: de quatro, de joelhos, sentada. Sua boca saboreava cada parte do corpo dele indo até o limite do prazer. A noite foi uma criança para os dois amantes que degustavam pela primeira vez um do outro.

E no amanhecer, ele ficou esperando a coleta da mulher que parecia querer compromisso. Tal sua surpresa, quando ela lhe serviu uma caneca de café e lhe disse que fosse logo antes que a cidade começasse a acordar, pois não queria que lhe vissem saindo da casa dela. Afinal, não queria convenção ou tratado, pois seu corpo, sua casa eram seus e de mais ninguém. Mas sempre que ele quisesse uma boa noite de prazer, a porta estaria entreaberta.

Zé aceitou o café, vestiu a roupa e saiu chutando as pedrinhas pelo caminho, pensando que já tinha vislumbrado a casa, o final de tarde, o compromisso, quase o casamento. E tudo que a mulher queria, era seu corpo...Aff.mulher traiçoeira!!! Amanhã, ele voltaria com outra cerveja!!!







quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Madonna - Carla Pepe



Madonna
By Carla Pepe 

Como uma virgem
te encontro
Me abro
Me dispo
Te quero
Não nego.
Te espero.
Como uma puta
Me entrego
De quatro
De lado
Sentada
Mandada.
Como Madonna
Te canto
Eu danço
Me exponho
Te laço.
E escapo.
Me jogo na vida.
Sofrida.
Sou Brida. 
Por sou dona de mim.




quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Maria das Mercês - Carla Pepe


Maria das Mercês
By Carla Pepe


Seu nome era Maria das Mercês, mulher de muita fé e oração, morava só numa casinha no final da rua. Participava dos terços, orações e novenas. Vivia de uma pensão deixada por seu pai que era militar da reserva e tinha morrido fazia tempo. Não precisava de muito para viver, por isso parte de seus rendimentos utilizava na prática da caridade. Há muito tinha abandonado as vaidades. Era uma mulher jovem ainda, com seus 40 e poucos anos, corpulenta, seios fartos, coxas grossas. De vez em quando, sentia uns calores subindo o ventre e aí rezava o rosário para afastar os pensamentos. Já fora noiva uma vez, mas o rapaz morrera de uma febre. Nos últimos anos, decidira que era melhor viver sozinha, se bem que sempre que via Toinho seu peito batia arfava, seu sexo aquecia, suas contas de terço passavam mais rápido.

Antonio, ou Toinho, como era conhecido, era pedreiro e vinha consertando o quintal da casa de Maria das Mercês. Ele a achava uma moça intrigante, boa cozinheira, casa arrumada, mas muito carola para seu gosto. Uma vez ele se pegou pensando em beijar a moça, mas logo foi interrompido pelo som do terço. Imagina se ele ia competir com Jesus. Também não queria compromisso, era separado e mulher só trazia aborrecimento. O melhor era ficar sozinho. No entanto, olhando de rabo de olho, a corpulenta mulher era bem atraente quando não estava rezando suas contas. Muitas vezes na cozinha, ela cantava uma canção de amor ou mesmo sorria vendo a novela, ele observava que nessas horas ela ficava linda.

Naquele final de tarde escaldante, Mercês convidou Toinho para beber uma limonada e, se quisesse, se servir do jantar. Afinal, tinha feito comida suficiente para os dois e mais um batalhão de gente. O rapaz gentilmente disse que não, mas a mulher foi insistente. Serviu a comida na mesa da Copa e ficaram os dois a conversar os mais diversos assuntos. Ele descobriu muitas coisas sobre ela: suas preferencias musicais, seu gosto por filmes. Ela descobriu sua paixão por futebol e por terminar a faculdade. Havia algo naquela noite quente de verão que fez com o papo rendesse e os dois ficassem ali como velhos amigos.

Ela perguntou se queria um licor ou uma velha pinga para terminar a refeição. Ele achou prudente recusar, mas novamente a mulher insistiu. Maldita pinga!!! No que ele bebeu, um calor subiu-lhe pela pernas e o membro enrijeceu de paixão pela mulher. Mercês notou certa eletricidade entre os dois e o um fogo que lhe subia por entre as pernas. Ele a pegou de jeito e lhe beijou esperando ser rejeitado. Não foi! Foi altamente correspondido. Mercês até tentou, mentalmente, fazer uma oração, mas foi inútil. Seu corpo não lhe correspondia.

E assim começaram os dois numa dança sensual em que as mãos dele percorriam o corpo dela tirando-lhe a roupa, buscando-lhe sugar os fartos seios, entreabrir as coxas grossas. Ela correspondia como ingênua amante, mas também procurava-lhe o membro, as costas, seu corpo. Como que por instinto seguiram para o quarto, aonde deram vazão a paixão que os consumia. Ele a deitou na cama e sugou-lhe novamente os seios, o ventre. Ela ajoelhou-se perante a ele como numa oração e sorveu seu néctar quente. Ele virou-lhe de costas e a possuiu de quatro como uma deusa adorando-a numa contemplação. Era uma amante ardorosa (das mais fogosas que ele já tinha tido). Ele estava perdido agora.

E no amanhecer os dois olharam-se e como se soubessem a resposta que tanto esperassem, voltaram a ser amar agora no chuveiro. Eles não tinham respostas para o que acabaram de viver. Mas sabiam que a hora era agora e o amanhã pertencia apenas a Deus...e de novenas, terços e rezas...ela tinha crédito, se tinha.




Quero você - Carla Pepe



Quero você 
By Carla Pepe

Quero você com urgência
Sem demora.
Agora.
Não tem hora.
Quero você de quatro.
De joelhos.
Me entrego.
Sem medo.
Sou tua por segundos, minutos e horas.
Prazer.
Vem ver.
Como é nós dois.
Me chama senhora
E vem.







Dona de mim mesma - Carla Pepe


Dona de mim mesma 
By Carla Pepe

Ela vem com seus fartos seios
Aconchego do amante
Lugar secreto de prazer.
Seus decotes prometem fogo alarmante.
Seu sorriso aquece o rígido sexo.

Ela tem um jeito inocente de sensualizar.
Um modo sério de questionar.
Uma vontade de submeter e de fazer ajoelhar.
Ela provoca uma vontade de beijar.

Seu olhar me seduz e ilumina.
Suas coxas me aquecem e me convidam.
A sucumbir de desejo.
Quero roubar-lhe os beijos e sorrisos.
Escutar-lhe os gemidos.
Fazer-lhe gozar de prazer.

Quero pegar firme em seus seios.
Dançar com ela espanhola.
Olhar nos olhos
Arrancar-lhe o batom.

E no fim, em êxtase,
ver-lhe o corpo volumoso
deitado todo formoso
sucumbido de volúpia.
Dizendo-me com astúcia:
"moço és gostoso, é sabido
mas que fique claro desde já...
sou dona de mim mesma
sou moça livre alto lá."

domingo, 6 de dezembro de 2015

A Distância - Carla Pepe


A Distância 
By Carla Pepe

Ele admirava a distância. Era apenas uma admiração sensual, do corpo, da boca, do sexo sem nexo. Nem ele sabia o que via naquela mulher tão diferente. Ela era corpulenta: seios fartos, barriga saliente, coxas grossas, boca carnuda sempre pintada de rosa, seu corpo tinha a marca da vida em si. Tinha sempre opinião sobre tudo e não se calava. Mulher irritante! Mas também muito sensual. Eram tão diferentes que ele sabia que só poderia dela roubar o olhar. Não era amor, era apenas cobiça, lascívia total. Vontade de lhe submeter o desejo.

Ela tinha suas crenças e não se calava, se recusava a fica na sua. Já tinha ficado tempo demais quieta, assumindo papéis que não eram seus. Agora falava, opinava, matraqueava. Suas roupas, seu cabelo, seu batom, seu jeito. Várias pessoas vinham lhe abordando lhe dizendo que andava diferente. Ela sabia o que era: seu coração agora lhe pertencia. Era seu, somente seu, de mais ninguém. Portanto, não se importava com o braço gordo na blusa de alça, a boca carnuda com o batom rosa, as coxas grossas com celulite e a minissaia. Estava se sentindo sexy e gostosa em sua plenitude.

Naquele dia, ela reparou o olhar dele diferente no meio da acalorada discussão. Ela não sustentou o olhar, pois o que viu de relance era forte demais para ela pensar numa fração de segundos. O que faria? Eles eram dispares além da conta. E agora? Quando acabasse o que veio fazer iria embora e dificilmente se veriam novamente. Eram raras as ocasiões que se encontravam e nunca estavam sós.

No entanto, já era tarde quando tudo acabou. Ela estava só e precisava ir embora. Tentou de todo jeito disfarçar e sair em ser percebida. Quando sentiu, a voz por cima de seu ombro: "quer uma carona?" Era ele oferecendo-lhe uma forma de ir para casa ou parte do trajeto protegida (ou totalmente entregue ao inferno). Ela recusou gentilmente, no entanto, ele insistiu, reforçando que era tarde para ela voltar sozinha. Ele a deixaria no metrô, caso ela não quisesse a carona até sua casa. Ele já estava perdendo a paciência, podia ter ido embora mas resolvera ser educado e a mulher ficava agora dando uma de independente. Se fosse sozinha aquela hora algo poderia acontecer.

Ela acaba aceitando a carona. O clima no carro é tenso e sufocante. Nenhum dos dois diz qualquer palavra, nem sustenta o olhar. Nem as mãos se movem para qualquer lugar. A sensação é de que qualquer movimento conduziria a devassidão. Ela o orienta para deixa-la próximo de sua casa. Na hora da despedida, inevitavelmente ela vai na direção dele e seus corpos explodem de desejo e prazer. Ele a beija como se não houvesse amanhã. Ela corresponde sabendo que seria apenas aquela noite. E ali dentro do carro, eles se deixam levar pelo fogo que os consumia. Ela o suga até o fim deixando que ele derrame nela todo seu conteúdo. Ele a beija com sofreguidão em todas as dimensões do seu corpo. O carro vira único espaço de concordância daquelas mentes tão divergentes. E juntos chegam ao êxtase.

Ele a olha como se não houvesse explicação para o que acabara de acontecer entre eles. Ela nada fala apenas olha para ele com sinal de quem entende. Sai do carro, agradece a carona e caminha sorrindo, afinal a vida é feita de experiências...e que boas experiências.




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

De frente ao espelho - Carla Pepe



De frente ao espelho
By Carla Pepe

O espelho reflete nua
A imagem crua
Dela em aquarela
Tua coragem
Uma miragem
Ela busca trilhar seu caminho.
Todinho só seu.
Cabeça erguida
Solta na vida.
Destemida
Precavida
Sem freios
Sem arreios.
Gosta de galanteios.
Sua vida é uma conquista.
Chega a ser altruísta.
Ela quer a lua, o céu, o jogo, o mel.
Ela quer sugar o néctar até o fim.
Seu limite é que não lhe tirem o sonho cor de carmim.
As vezes ela chora, mas não se demora
Por logo, o sorriso lhe brota
e do beijo na boca ela sente falta.
A imagem no espelho reflete a moça
A beleza da alteza.
Rainha de si.





terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Vênus - Carla Pepe


Vênus
By Carla Pepe

Grandiosa
Formosa
Cheia de curvas fartas
Pernas grossas
Nua como Vênus
Quer relaxar como tantas.
Deitar-se de costas, seu ânus.
Ele a olha pela fresta
A admira dançar na festa.
Ela ergue a taça e faz seu brinde.
À vida, ao desejo e ao requinte.
Quer a doçura.
Quer o néctar.
Quer o fogo.
Quer o jogo.
Quer o céu.
Ela é linda
Tão perfeita.
Sem pudor.
Entendeu que a vida
só é vida vivida
se você for dela principal artista








Nudez - Carla Pepe


Nudez
By Carla Pepe

Nua
Crua
Ela anda pelada
Suada
Calada
Opinião formada
Sua vida
É bem resolvida
Doida varrida
Bebe cerveja
Suga e goteja
De quatro lhe deseja
Seu moço
Sem alvoroço
Chega com gosto
Lhe pega de jeito
Que ela é rosa,
Espanhola, vadia
E senhora.
Mas não se demora
Pois senão ela
Veste e vai embora.


domingo, 29 de novembro de 2015

Sensual - Carla Pepe

Sensual
By Carla Pepe

Sensual é seu sorriso franco.
Seu cabelo solto.
Sua perna grossa.
Suas mãos sedosas.
E seu jeito serio de se explicar.
Ela é sexy nos seus decotes.
Nas suas respostas sem fricotes.
Na perna aberta e na mesa do bar.
Ela é pura sensualidade.
Nos seios fartos e na coxa grossa.
Na minissaia justa no batom rosa.
Há uma menina no seu coração.
Ela se espanta com os elogios.
Fica vermelha e sente arrepios.
Ela tem um jeito sensual tão natural.
Que fascina e convida a teu corpo provocar.
E dos teus lábios provar.
Sensual é seu jeito de dizer
que se eu vier vou ter que encarar
ela inteira sem cessar.
A noite inteira até o sol raiar.




Teu corpo claro e perfeito (Manuel Bandeira)

Teu corpo claro e perfeito
(Manuel Bandeira)
Teu corpo claro e perfeito,
Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha…
Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa… flor de laranjeira…
Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado…
Teu corpo é pomo doirado…
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume…
Teu corpo é a brasa do lume…
Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes…
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Quem em antigas se derrama…
Volúpia da água e da chama…
A todo o momento o vejo…
Teu corpo… a única ilha
No oceano do meu desejo…
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa, flor de laranjeira…

A moça do brinco dourado - Final - Carla Pepe

A moça do brinco dourado - Final 
By Carla Pepe

Os corpos se tocaram, ficaram ali se beijando, procurando resistir a urgência da entrega a paixão que os consumia. O problema é que tinham muito em jogo: ele sua consultoria, a ampliação do trabalho e ela a seriedade que vinha construindo. O que fariam quando amanhecesse o dia, caso deixassem aquela atração os consumir. Glorinha queria muito se deixar levar pela primeira vez em sua vida, mas tinha medo das conseqüências. Seu corpo dizia um coisa e sua mente outra.

Jayme queria jogar tudo para o alto e seguir o que o corpo queria, intuitivamente ele sabia que não se conformaria com apenas uma noite e que poderiam conversar sobre como seguir adiante sem misturar as coisas. Naquela noite, ele precisava dela, sentir o corpo dela desnudo sobre o dele, os beijos dela sobre o corpo dela, em todos lugares. Ele já estava rígido de prazer e sabia que não aguentaria muito tempo apenas naqueles tórridos beijos no sofá da sala. Estava se sentindo um adolescente e não um caso de 30 e poucos anos.

Obedecendo seus instintos a boca dele procura o corpo dela e suas mãos vão deslizando e desnudando seu corpo. Glorinha não oferece resistência, qualquer parte do seu cérebro a havia abandonado covardemente e agora ela resolvera pensar no que quer fosse apenas no dia de amanhã. Hoje ela se entregaria aquela chama que ardia desde o seu ventre, permitindo que ele a despisse e a conduzisse ao quarto. Ela também de forma urgente o despoja e o observa rijo. Ela se rende totalmente como numa oração ajoelhada diante do desejo que os consome. Eles experimentam uma noite sem freios, urgente, como se o amanhã fosse complicado demais.

Ela tem vergonha do seu corpo volumoso nu apenas com o brinco dourado, mas o olhar de apreciação e desejo intenso dele derruba toda insegurança. Ela se sente linda pela primeira vez em muito tempo com seu corpo, com suas formas, com sua inteireza e se rende totalmente, à lascívia. Os dedos dele percorrem o corpo dela perfurando suas reentrâncias úmidas. Sempre protegidos, ela o suga profundamente até que ele derrame sobre ela morna cálido líquido. E de quatro chegam ao êxtase final. Exaustos desmaiam sem pensar no amanhecer.  

Nada obstante, a alvorada os espera sem dó nem piedade. Ele não havia pregado os olhos, observando-a dormir. Ela era linda em sua beleza tão comum, em suas volumosas curvas, em seus seios fartos espalhados pelo lençol. Ele ficou ali buscando eternizar o momento, caso não tivesse outro igual. Ou mesmo se tudo não passasse do melhor sonho erótico dos últimos tempos. Ele queria encontrar a solução para o problema que tinham juntos. E quem sabe juntos terem uma chance. Mas agora...

Agora ele ia desfrutar daquela linda mulher espalhada na cama cujo corpo acabava de corresponder às suas carícias. O resto...bom...aí...quem sabe...



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Venha ou Fique - Carla Pepe



Venha ou fique
By Carla Pepe

Sou vendaval que espalha.
Sou o fio da navalha.
Moça fina de perna fechada.
Libertina cansada de ser bailarina.
Carola que quer dançar castanhola.
Uma rosa que quer beijar tua boca.

Vem agora me tirar para dançar.
Me puxa e me põe no altar.
Faz minha garganta arranhar.
De joelhos coloca meu peito a gritar.

Quero romper as expectativas.
Você aqui não tem cadeira cativa.
A conquista é prerrogativa.
Da sedução que faz acontecer: eu e você.

Lembre-se eu tenho fronteiras bem definidas.
Sou mulher sem amarras e sem freios.
Não tenho juízo nem rodeios.
Vou em frente e me jogo na vida.
Se você quiser, meu bem: me siga!



Moça do brinco dourado - Parte 3 - Carla Pepe

Moça do brinco dourado - Parte 3
By Carla Pepe

Seus corpos se esbarram, uma química entre eles rola imediatamente. Eles sentem a pressão e suas mãos se tocam. A mão de Jayme pega o corpo de Glorinha e vai até as costas no intuito de não deixa-la cair, mas também de trazê-la mais para perto de si. Ele pode sentir seu perfume um misto de lavanda e almíscar, a cor do batom levemente rosa, a boca carnuda, os olhos sensuais. Tudo nele se enrijece ante ao corpo volumoso da moça. E agora?

Glorinha prende a respiração quando Jayme segura seu corpo tão perto. As mãos dele nas suas costas pressionando fazem seu ventre bater descompassado. A vontade de que ele a pegasse nos braços e a beijasse era enorme. Mas ela nunca se deixara levar pelo prazer. Sua vida fora baseada na racionalidade, no pensamento lógico, no planejamento. E sabia que não ficariam apenas no beijo. Como lidar com as conseqüências do que aconteceria entre eles. Diante de tantas questões, ela chega a pensar em sair do abraço.

Como que se soubesse que ela sairia do abraço, Jayme resolve que, pelo menos, provaria o gosto daqueles lábios carnudos. Ele a beija sem demora, começa com um selo para sentir a seda, o rosa, e vai penetrando. O beijo parece uma relação, porque vai crescendo numa dança sensual. É um beijo que parece ter que durar a eternidade. Jayme quer eternizar o gosto da morena na sua boca. E assim vai percorrendo com sua língua a boca da morena sem pressa, sem volúpia, sem demora. Ela corresponde como se fossem velhos amantes, como se já conhecesse aquele caminho. Passa pelo corpo dele suas mãos como se quisesse deixar sua marca.

Naquela cadência sensual, os dois ficam por um tempo sentindo seus corpos quentes, sentindo a respiração ardente. Os beijos ardentes era o possível entre eles naquela noite de lascívia e possibilidades. Afinal era uma história complicada: ela sócia da firma na qual ele prestava consultoria. Ele tinha planos de crescimento profissional. Ela uma sócia respeitada. Mas o amanhã eles deixariam para pensar depois. Por enquanto, tudo que eles queriam era se render aquela vontade louca de beijar a boca e sorver o que pudessem daquele momento mágico.

Deixariam o porvir para pensar quando viesse a hora. Agora se permitiram viver o momento mágico onde seus lábios e corpos estavam se encontrando mesmo que sem a intimidade que gostariam.

Será que se renderiam a algo mais? Iriam além do beijo?




domingo, 22 de novembro de 2015

Moça do brinco dourado - parte 2 - Carla Pepe


Moça do brinco dourado - Parte 2 
By Carla Pepe

Ele a levou até seu carro, a respiração acelerada pela moça que o acompanhava. Ela continuava a ser uma incógnita para ele. Ela o atraía, mas ele não queria envolvimento, trabalho e sexo não eram coisas que se misturavam. Também não iria tomar qualquer iniciativa pois precisava do dinheiro e um passo em falso colocaria todo contrato a perder. O melhor a fazer era dar carona a sócia, garantir sua chegada em casa e seguir com suas fantasias. Logo, logo arranjava uma companhia e tudo isso passaria.

Glorinha sente o olhar profundo do consultor sobre ela, por dentro treme, o estomago embrulha, no seu íntimo gostaria que ele tomasse a iniciativa e lhe beijasse profundamente e demoradamente. Ele era tão sério naqueles óculos,  possivelmente aquela seriedade fosse coisa de que mexe com alta tecnologia. Pensando bem, não sabia o que faria se ele lhe beijasse. Afinal, era contra misturar as coisas: trabalho e sexo. Que bom que alguém naquele carro era sensato e não era ela.

O caminho para sua casa nunca lhe parecera tão longo, mesmo a noite e sem transito algum. Ela tinha dúvidas de como fazer quando chegassem a sua casa, deveria convida-lo para um xícara de café pela carona. Deveria dar-lhe um beijo no rosto ou bastava um aperto de mão. Eram tantas as dúvidas que Glorinha estava quase pulando do carro em movimento para não ter que responder aos questionamentos de seu cérebro. Enfim, se aproximaram de seu apartamento e ela agradeceu com um aperto de mãos, perguntou se ele gostaria de subir para um café antes de retornar para sua casa. A oferta gentil era apenas uma forma de ser educada pois não sabia a distancia para a casa dele.

Jayme vê o nervosismo da moça e entende como medo de estar sozinha com um homem, afinal ela parecia uma mulher bastante reservada. Ele resolve aceitar o convite, uma  vez que morava bem distante da casa dela e um café cairia bem para voltar para casa. Ajudaria a ver se estava tudo em ordem com a sócia do escritório. Eles sobem para o apartamento: é pequeno, mas aconchegante, com flores e cores nos lugares certos. Tinha uma certa desarrumação, algo que ele não esperava, visto que ela parecia metódica. A moça desaparece pela casa. Reaparece mais a vontade, descalça, sem a blusa de trabalho, com uma camiseta branca e cabelos soltos. Jayme prende a respiração e quase ergue a voz para recusar o café, mas ela some novamente.

Glorinha volta a sala agora com bandeja de café expresso. Senta de frente para Jayme e bebem o café em silêncio. Ambos sentem o clima constrangedor, mas não sabem o que fazer com isso. Ela resolve quebrar o clima perguntando sobre seu trabalho e ele fala um pouco sobre a consultoria em tecnologia da informação. Rapidamente, termina o café, entrega a xícara e se levanta. Nesta hora, o universo conspira a favor da lascívia, e seus corpos se tocam e é impossível resistir a boca daquela mulher tão próxima a ele.  Jayme pega o corpo de Glorinha nos seus braços e como não encontra freio a beija.

E agora? Glorinha resistirá a noite com Jayme? Ficarão apenas no beijo fugaz ?



Vida feita (1993) - Carla Pepe



Vida feita (1993)
By Carla Pepe


A vida é feita de:
dores, dissabores, maus amores.
lágrimas, lástimas, máximas.
fel, gel, céu.
lanolina, vaselina, creolina.
gente que desencanta gente.
saudade, metade, ansiedade

De que é feita a vida?
De gente colorida, que chora e que ri.
De gente cinza que apenas passa por aqui.
De gente branca que se veste de colorido para dizer que existiu.
De gente preta que se traduz de alegria e anda na vida de onde nunca partiu.

Vida feita é de:
 amor, sabor, cor que a gente dá.
do sal, do metal, tal qual a gente amar.
de mel, de céu, de véu de noiva no altar.
de amar, perdoar, saudar e beijar.

E também a vida é partir, seguir e nunca mais voltar.
É criança no ventre, o leite quente e carinho de mãe.

A vida quem faz é a gente. A vida é hoje e não amanhã.